segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Trabalho


Este blog foi feito como parte do projeto final do Tópico Especial de História da América "Cinema Argentino" da Universidade de Brasília. A matéria foi ministrada pelo professor Dr. Jaime de Almeida e pelo Doutorando Salatiel Ribeiro.

A segunda parte do trabalho, uma análise Crítica mais detalhada sobre o filme.
Link:
https://www.dropbox.com/s/ur9g8ravy2n0k0k/T%C3%93PICOS%20AM%C3%89RICA%201%20JAIME.pdf


Alunos:


Bruno Alves Dourado
Gustavo Dias
Hugo Aguiar Novaes

Data: 22/07/2013

Referência e Links Uteis.









O Diretor


Carlos Echeverría nasceu em 1958 na cidade de Bariloche, Argentina. É diretor , escritor, cinegrafista, produtor, editor e foi ator no documentário "Pacto de silencio (2007)", além de ter produzido o documentário "Juan: Como si nada hubiera sucedido (1987)" também foi diretor de "Huellas de un siglo (2010)", "Querida Mara, cartas de un viaje por la Patagonia (2009)", "Pacto de silencio (2007)", "Pakt des Schweigens (2005)" "El C.A.I.N.A.: Los chicos de la calle (2002)", "Exil und Rückkehr (1984)" e "El grinco loco: Bariloche en invierno (1984)". A sua obra é reconhecida por retratar de forma ficcional e documental a região da Patagônia. 

Trechos selecionados da entrevista com o diretor: 

O cineasta Carlos Echeverria lançou em 1987 o filme "Juan, como se nada tivesse acontecido", sobre o sequestro clandestino dos militares do jovem Juan Marcos Herman, de Bariloche. O epílogo do filme menciona a dificuldade de investigar o caso com a regra da lei do "Ponto Final". Desde 2005, ela e a lei da "Obediência Devida" foram anuladas pelo Supremo Tribunal de Justiça da Nação. Mas o caso de Juan, ao contrário de centenas de outras pessoas em todo o país, não foi reaberto. Esta é uma das questões abordadas pela Rádio O (102,3 FM), em diálogo com o cineasta de Bariloche, sob o trigésimo aniversário do desaparecimento de Juan.

EN: Quem foi Juan, que foi sequestrado, como eles fizeram isso?
CE: Juan nasceu em El Bolson, mas cresceu em Bariloche. Seu pai era um médico, primeiro no hospital, em El Bolson e Bariloche. Ele teve a sua infância e adolescência em Bariloche, fez a escola secundária Angel Gallardo, que era o único que tinha, e em 71 ele foi estudar em Bahia Blanca. Ele passou um tempo estudando Engenharia Eletrônica, e então deixou a corrida. Trabalhou por um tempo em Bariloche, em 73, para completar o ano em que ele saiu, e trabalhou no Llao Llao hotel. Então ele foi para Buenos Aires para estudar Direito, onde participou de atividades e políticas de estudantes na Universidade da Juventude Peronista. No início da ditadura deixou a combatividade. Ele continuou a estudar e viajar entre Bariloche e Buenos Aires, os pais visitam e irmãos, e no inverno de 77 convidou um amigo para ir de férias para Bariloche. Aquele inverno foi quando o sequestro ocorreu, quase recém-chegado na noite do dia em que ele havia chegado.

EN: Houve um "pacto de silêncio" em Bariloche, para parafrasear o título do seu mais recente filme?
CE: Sim, é quando eles tinham. E há um segundo desaparecimento de Juan, tendo em vista que desde dezembro de 2003, a rota entre El Bolson e Bariloche por lei é chamado de “Estrada Juan Marcus Herman ". De nenhuma maneira é mencionado. Esquecemo-nos, talvez por não se preocupar em negar a história e o significado do que isso representa. É sempre dito rota ou rota 40 sul nacional de El Bolson, nunca é mencionada pelo nome. Há outras rotas na região que são nomeadas  e mencionadas com nomes, dados por moradores.

EN: Quem comandou a operação?
CE: Ninguém sabe quem mandou, ele foi conduzido por forças pertencentes ao Exército. Havia um grupo de homens em roupas civis, além de um soldado uniformizado com baioneta, como se lembrou o pai de Juan. Isso é interessante porque torna claro que o grupo pretendia pessoas. Além do testemunho de pessoas que viram os carros, e reconhecidos, eles disseram que essas pessoas vieram com capuz de soldado, sem uniforme e que tinha baionetas. A outra veio com lenço e baionetas caladas, também.

Outras Entrevistas:


Homenagens:

Ainda hoje Juan Marcos Herman recebe homenagens por toda região da Patagônia.


Hoje, Sexta-feira 30 de abril foi realizada no Museo de la Patagonia "Dr. Francisco P. Moreno", sob a Administração de Parques Nacionais com executivos, professores e alunos da EMC n º 45, um ato de homenagem a John Marcos Herman. Desta vez, abriu oficialmente em um dos quartos da placa memorial em seu produto de memória de um projeto educacional com a colaboração dos trabalhadores da FASINPAT.


Link:http://www.youtube.com/watch?v=8iEwa4lUh6Q


Um sequestro de 35 anos de Juan Marcos Herman. A Secretaria de Direitos Humanos da Província de Rio Negro expressou seu apoio à família e amigos de John Marcos Herman, detido - desapareceram durante a ditadura civil-militar, na cidade de San Carlos de Bariloche um 16 de julho de 1977. O Ministério dos Direitos Humanos, do Ministério da Educação da Província de Rio Preto, pelo Dr. Eduardo Bagli lembrou o aniversário do desaparecimento forçado de John Marcos Herman detido - desapareceram durante a ditadura civil-militar, na cidade de Bariloche e expressou o seu apoio à família e amigos.
"Em 35 anos de que 16 de julho de hoje nós celebramos as convicções dos responsáveis ​​pela luta eficaz e cativeiro de João Marcos, no Clandestino Centro de Detenção Atletico e para os responsáveis ​​por seu sequestro quando chegar a justiça" expressa a declaração do Secretário de DD HH.
















Link: http://www.prensaanm.com.ar/pei/md_nota.asp?id=13024





Um ato feito pelos estudantes, que se reuniram ontem no CEM 45 com as autoridades do Parque Nacional. Teve a entrega de uma placa em memória de John Marcos Herman morte em Bariloche. Ele vai ser colocado na entrada praça do Museu da Patagônia, no Centro Cívico. "Minha cidade tem abandonado Juan", disse um dos alunos.

Link::http://www.anbariloche.com.ar/noticia.php?nota=23753



Quem foi Juan Marcos Herman?

Foto de Juan Marcos
 Juan Marcos Herman, nasceu em El Bolsón, na Argentina, contudo, foi criado em Bariloche, filho do doutor Juan Herman e de Matilde Herman, estudou o secundário no colégio Angel Gallardo, em 1971 estudou também em Bahía Blanca. O jovem era estudante de engenharia eletrônica, porém logo deixou a carreira e foi trabalhar em Bariloche no ano de 1973. Logo a seguir, mudou-se para Buenos Aires e estudou direito. Na capital argentina participou de atividades estudantis e políticas dentro da "Juventude Universitária Peronista", entretanto, quando iniciou-se a ditadura abandonou a militância e continuou os estudos. Em julho de 1977, durante as férias foi visitar os pais e irmãos em Bariloche. No dia 16 de julho de 1977, é sequestrado por um grupo de militares armados na casa de seus pais. Os militares disseram que desejavam apenas fazer algumas perguntas ao jovem de 22 anos, dali Juan ficou preso por três dias em uma dependência do exército, e depois foi transferido de avião à Buenos Aires. Enquanto isso, o doutor Juan Herman radicou uma denúncia na polícia da cidade pelo sequestro de seu filho Juan Marcos, protagonizado na madrugada de sábado por um grupo de seis ou sete pessoas com fardas de policiais, a polícia negou a ocorrência. Inclusive, soltando um comunicado: “Ante versiones periodísticas aparecidas en un matutino de la región el 18 de julio de 1977, donde presume que fuerzas de seguridad habrían intervenido en el secuestro del señor Juan Marcos Herman, en Bariloche, este Comando de Subzona 52 hace saber a la población, que los elementos de las fuerzas legales no secuestran ni capturan en la forma expresada por la versión periodística”. Nada foi feito. Juan Marcos da capital argentina foi levado para o C.C.D (Club Atlético) aonde foi torturado sem receber qualquer tipo de perguntas, provavelmente, ali morreu. 

C.C.D (Club Atlético) 

O Filme

Entrevista com um Militar que trabalhava no quartel na época
do desaparecimento de Juan.
O documentário se passa na cidade de Bariloche, no sul da Argentina, no ano de 1987 quando tentam reconstruir o que o ocorreu no período marcado pelo golpe de estado que pôs a junta militar no poder em substituição a ex-presidente María E. Martínez, esposa de Perón. 
Posteriormente, Jorge Rafael Videla foi colocado como presidente da Argentina. O regime político que foi instaurado durou de 1976 até 1983 e ficou conhecido pela forte violação contra os direitos humanos e pela disputa de território com o Chile. A argentina neste período iniciou um processo que foi denominado de Processo de Reogarnização Nacional. Dentro deste contexto de forte violação aos direitos humanos houve a supressão do direito à ampla defesa, violentações físicas, encarceramentos ilegais e assassinatos de pessoas que eram opositoras do governo vigente, deste modo, inúmeros jovens e adultos que pertenciam a classe estudantil desapareceram. Muitos foram colocados no cárcere de forma ilegal, mesmo sendo inocentes. Entre estes jovens desaparecidos se encontrava Juan Marcos Herman, rapaz que morava nas redondezas de Bariloche e foi o único a desaparecer da região.

Cena do Filme

Dez anos após o seu desaparecimento, outro rapaz entra em cena tentando descobrir os motivos da morte de Juan, desta maneira, o documentário baseia-se na busca incessante de um jornalista de rádio de 22 anos que procura desvendar o mistério em torno da morte da Juan. O jovem jornalista tenta desvendar através de diversas entrevistas com aqueles que foram acusados de terem sido os responsáveis pela morte de Juan, assim como aquelas pessoas que eram próximas ao garoto. Entre os entrevistados encontra-se: o pai, a mãe, os irmãos de Juan Herman, além deles, também entrevista Teófilo Moana, Eduardo (Amigo de Juan), Ernesto Moner Ruíz, César Miguel, o tenente-coronel Sárraga, o general Castelli, o capitão Goiti, Miguel Ángel D'Agostino, o comandante Barberis, César Lanfranqui e o major Miguel Isturis. Echeverria usa imenso cuidado na construção desta quebra-cabeça que mostra o retrato assustador da morte e a normalização do acontecimento.

Um "militar" se nega a dar a uma entrevista.
O jornalista e Echeverria começam metodicamente com o dia do desaparecimento de Herman e as memórias de sua família, ampliando lentamente o círculo de tempo e pessoas para incluir amigos, vizinhos e, eventualmente, os vários representantes das forças armadas, a polícia e outros oficiais de segurança. Parece que ninguém sabia de nada, ninguém fez nada. O desaparecimento é muito estranho para todos. Neste sentido, o jornalista começa a notar as evasões, contradições, e as defesas dos entrevistados que começam a se acumular sem fim, às vezes, as próprias negações tornam as provas proferidas por estes mais convincentes. E para complicar o desenrolar desta história os vizinhos ainda permanecem em silêncio. O filme participou do Sundance Film Festival de 1988.  

Ficha Técnica.

Ficha:

Cartaz do Filme: