segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Filme

Entrevista com um Militar que trabalhava no quartel na época
do desaparecimento de Juan.
O documentário se passa na cidade de Bariloche, no sul da Argentina, no ano de 1987 quando tentam reconstruir o que o ocorreu no período marcado pelo golpe de estado que pôs a junta militar no poder em substituição a ex-presidente María E. Martínez, esposa de Perón. 
Posteriormente, Jorge Rafael Videla foi colocado como presidente da Argentina. O regime político que foi instaurado durou de 1976 até 1983 e ficou conhecido pela forte violação contra os direitos humanos e pela disputa de território com o Chile. A argentina neste período iniciou um processo que foi denominado de Processo de Reogarnização Nacional. Dentro deste contexto de forte violação aos direitos humanos houve a supressão do direito à ampla defesa, violentações físicas, encarceramentos ilegais e assassinatos de pessoas que eram opositoras do governo vigente, deste modo, inúmeros jovens e adultos que pertenciam a classe estudantil desapareceram. Muitos foram colocados no cárcere de forma ilegal, mesmo sendo inocentes. Entre estes jovens desaparecidos se encontrava Juan Marcos Herman, rapaz que morava nas redondezas de Bariloche e foi o único a desaparecer da região.

Cena do Filme

Dez anos após o seu desaparecimento, outro rapaz entra em cena tentando descobrir os motivos da morte de Juan, desta maneira, o documentário baseia-se na busca incessante de um jornalista de rádio de 22 anos que procura desvendar o mistério em torno da morte da Juan. O jovem jornalista tenta desvendar através de diversas entrevistas com aqueles que foram acusados de terem sido os responsáveis pela morte de Juan, assim como aquelas pessoas que eram próximas ao garoto. Entre os entrevistados encontra-se: o pai, a mãe, os irmãos de Juan Herman, além deles, também entrevista Teófilo Moana, Eduardo (Amigo de Juan), Ernesto Moner Ruíz, César Miguel, o tenente-coronel Sárraga, o general Castelli, o capitão Goiti, Miguel Ángel D'Agostino, o comandante Barberis, César Lanfranqui e o major Miguel Isturis. Echeverria usa imenso cuidado na construção desta quebra-cabeça que mostra o retrato assustador da morte e a normalização do acontecimento.

Um "militar" se nega a dar a uma entrevista.
O jornalista e Echeverria começam metodicamente com o dia do desaparecimento de Herman e as memórias de sua família, ampliando lentamente o círculo de tempo e pessoas para incluir amigos, vizinhos e, eventualmente, os vários representantes das forças armadas, a polícia e outros oficiais de segurança. Parece que ninguém sabia de nada, ninguém fez nada. O desaparecimento é muito estranho para todos. Neste sentido, o jornalista começa a notar as evasões, contradições, e as defesas dos entrevistados que começam a se acumular sem fim, às vezes, as próprias negações tornam as provas proferidas por estes mais convincentes. E para complicar o desenrolar desta história os vizinhos ainda permanecem em silêncio. O filme participou do Sundance Film Festival de 1988.  

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